8.09.2005

Ainda há professores que são mestres

“Um bom mestre tem sempre esta preocupação: ensinar um aluno a desenvencilhar-se sozinho.”

“O aluno a quem nunca se pediu para fazer o que não é capaz, nunca faz aquilo que realmente consegue fazer.” (John Stuart Mill)

Até hoje, no meu já longo percurso escolar, posso afirmar que tive poucos mestres na acepção destas citações. Poucos foram os que se preocuparam em nos munir de conhecimentos e capacidade de improvisação, pois estavam demasiado aflitos em escrever um número à frente do nosso nome, no final de cada período de avaliação. As pautas nunca representam a verdadeira capacidade de esforço ou a falta dele. As notas nas pautas são tão enganadoras quanto as ilusões de óptica.
Lembro-me que tive bons professores, competentes e empenhados. Contudo tive apenas um ou dois que eram verdadeiros mestres, cuja sabedoria lhes permitia perceber que o mais importante não é exigir o conhecimento integral e literal do que os livros professam, que valorizavam a habilidade de contornarmos as dificuldades com perícia, que nos ajudavam a descobrir o conhecimento, numa autodidaxia ajustada a cada um.
Estes professores não entendiam o termo “justiça” na atribuição das notas como a soma de dois valores obtidos em provas escritas. A nota era sempre o somatório disso e do que os outros colegas se alheavam de tentar captar: o desenvolvimento intelectual e, em paralelo, o desenvolvimento pessoal.
Afinal a escola não é apenas o local onde se aprende a escrever, ler e contar. A escola é a instituição onde passamos largos anos da nossa vida, é o espaço que nos acolhe e nos faz crescer, é a responsável por grande parte daquilo que somos, é nela que aprendemos as regras do comportamento cívico, que construímos a nossa cidadania. Fazemos da escola um trampolim para alcançar os nossos objectivos. Contudo a escola é também o cenário de muito desânimo, cansaço e, sobretudo, frustração quando não encontramos nos professores os mestres mas os professores armados em mestres.

4 comentários:

  1. Anónimo6:21 a.m.

    Concordo plenamente com o que escreveste. De facto, hoje são poucos os mestres, e quando, por acaso, os encontramos, temos o azar da sua escala de avaliação se restringir aos valores 13 e 14. Agora pergunto: numa sociedade em que, praticamente, só a competição gere o sucesso, será melhor encontrar o "mestre das notas baixas", ou o professor comum que valoriza o esforço do aluno?

    ResponderEliminar
  2. Infelizmente hj em dia há muitos q nem c o numero a frente do nome do aluno se preocupam. apenas c o numero q vem no cheque ao fim do mes...
    É pena, mas mesmo no ensino, com tantos licenciados, há poucos q tenham realmente a vocação de ensinar algo mais do q o q esta escrito nos manuais...
    E qt a mim, isto é um circulo vicioso...
    ****

    ResponderEliminar
  3. Se tu ja andas nisto de escola a muitos anos...eu posso dizer que ando um bocadinho mais a frente e cada vez mais farto de aturar autenticos "Mestres" a tentar explicar o que nao sabem e a dizer asneiras sem cabimento. Recordo agora uma frase dita por um grande Engenheiro que tambem tem um tacho como professor e que dá pelo nome de Joaquim Tavares da Silva (famoso Engenheiro Electrotecnico morador em Bragança e professor no IPB, de lembrar que tirou o curso antes do 25 de Abril de 1974, porque hoje, andava mais tempo do que eu para acabar o curso...), que numa determinada aula de Gestao de Energia disse: "...o Petrólio actualmente (mes de Março) tem mais oferta do que procura..." e continuou, como só ele sabe a dizer umas quantas parvoices. Bem, numa aula de Gestao de Energia ouvir uma coisa destas, era de ficar de boca aberta, pois o Petrólio ja estava a subir nos mercados internacionais e ainda hoje continua a subir, isto devido a crescente procura e a baixa oferta... Axo que este exemplo diz tudo sobre os Mestres que nada ensinam, porque nada sabem!

    Fica bem...Bjos

    ResponderEliminar
  4. Anónimo6:01 p.m.

    Felizmente tenho o privilégio de ja ter sido aluna de verdadeiros mestres, a eles mando o meu Obrigada por terem contribuído para parte do que sou hoje. Mas... infelizmente esses verdadeiros mestres tendem a desaparecer. Vivemos numa sociedade demasiado individualista e egocêntrica onde os valores e os princípios são um pouco deixados de lado. Nem a esmagadora maioria dos professores sabe o q é ser um Mestre, nem a esmagadora maioria dos alunos está mt interessada em aprender com um verdadeiro Mestre...

    ResponderEliminar