Estou no metro e, à minha frente, está um carrinho de bebé e uma mulher que vela pela sua segurança. Olho pela janela a paisagem imutável do caminho já percorrido algumas vezes. As casas degradadas em contraste com as mansões aristocráticas, os parques de estacionamento cimentados e os espaços de terra batida e muito pó, as altas chaminés das fábricas e as cordas que cedem ao peso da roupa em terraços minúsculos, os prédios de muitos andares e as casas térreas, etc. Os contrastes cansam-me a vista e volto-a para o interior da janela. Vejo, então, a bebé à minha frente a sorrir para rostos absortos que estão a quilómetros de distância dali, para rostos fustigados pela fadiga, para rostos de pedra, glaciais e impessoais.
Sorris, mas sorris muito. Tens uns olhos do mais vivo dos azuis e olhas o que te rodeia contente. Um dia mais tarde, também tu, tal como todos nós, vais perder essa capacidade de te rires desses rostos, esse riso de nada que se tornará ridículo quando te vires reflectida no vidro do metro sem te puderes lembrar de, quando um dia, te rias e não te importavas com a indiferença desses rostos que não conseguiam trocar um sorriso contigo. Gostava que conservasses esse sorriso infantil… Mas creio que à medida que o tempo vai avançando to vai roubar e tu vais ser impotente para lutar por mantê-lo. Muitos de nós, talvez, até possuam ainda esse sorriso numa qualquer arca, velha e esquecida, no sótão da lembrança e quando o descobrem, têm medo, voltam a colocá-lo nessa arca para o preservar, sob pena de alguém o usurpar. Bates as palmas com as tuas pequeninas mãos quando tu é que merecias um aplauso a esse sorriso inocente!
Sorris, mas sorris muito. Tens uns olhos do mais vivo dos azuis e olhas o que te rodeia contente. Um dia mais tarde, também tu, tal como todos nós, vais perder essa capacidade de te rires desses rostos, esse riso de nada que se tornará ridículo quando te vires reflectida no vidro do metro sem te puderes lembrar de, quando um dia, te rias e não te importavas com a indiferença desses rostos que não conseguiam trocar um sorriso contigo. Gostava que conservasses esse sorriso infantil… Mas creio que à medida que o tempo vai avançando to vai roubar e tu vais ser impotente para lutar por mantê-lo. Muitos de nós, talvez, até possuam ainda esse sorriso numa qualquer arca, velha e esquecida, no sótão da lembrança e quando o descobrem, têm medo, voltam a colocá-lo nessa arca para o preservar, sob pena de alguém o usurpar. Bates as palmas com as tuas pequeninas mãos quando tu é que merecias um aplauso a esse sorriso inocente!
Esta imagem do metro faz-me recordar como pode ser extenuante viver numa grande cidade. É de admirar que o bebé ainda sorria, pois provavelmente levantou-se cedo para ser transportado para o infantário, deve estar com fome e à noite não terá, provavelmente, grande atenção dos pais, que depois de um dia de trabalho e de serem transportados como "sardinha em lata" estão saturados de tudo e de todos. Na grande cidade não há tempo para admirar o desabrochar das plantas, na primavera, nem para gozar os pequenos nadas. Só há tempo para aborrecimentos e preocupações. Não devia ser assim...
ResponderEliminarAMAG
Bem.. este post ta mm mt giro;)
ResponderEliminarñ tnh palavras pa dzr mais nd!! Está td dito! Adoro a forma como tu contas as coisas, envolves-me nessa tua viagem de metro e ate parece k tou sentada num canto a ver o bebe e a ver-te a ti...
És fantástica!!! Parabéns:D:D:D
O olhar inocente que todos nos tivemos quando eramos bebes e mesmo mais tarde, quando ja crianças mantivemos o mesmo olhar e o mesmo sorriso, ambos inocentes...agora recordamo-lo atraves da observaçao de outros bebes e de outras crianças, pois sabemos que tambem nos um dia fomos assim. Agora incapazes de sorrir da mesma forma, pensamos na razao que nos roubou esse sorriso, a resposta e simples...crescemos demasiado!
ResponderEliminarPor vezes tentamos sorrir despreocupados mas nao conseguimos abstrairmo-nos de toda a realidade e o sorriso nao é tao inocente como desejavamos, o sentido da maturidade esta presente por mais que nos o expulsemos naquele momento, crescemos....