Pela primeira vez senti um centro comercial como um lugar apetecível só para se estar sentado num sofá a ler uma revista, intercalando a leitura com a observação daquilo que se atropela para aparecer no nosso campo de visão.
Pensava que, por aqui, só havia pessoas a saltitar de loja em loja, conversas de saldos e marcas, banalidades de experimentar roupas e desdenhar do preço da etiqueta. Julgava que era só um espaço dos homens feitos cães de guarda, aguardando à porta das lojas em solidariedade para com as necessidades femininas; ou dos adolescentes se amontoarem à porta do cinema à espera da última sessão da tarde, ou dos pais arrastarem os filhos para o parque infantil para fazerem as suas compras descansadinhos.
Mas no lugar de sacos a roçar em mãos gastadoras, de tabuleiros de plástico a bater nas mesas de alumínio, de música comercial que ninguém escuta, há também espaço para pequenas atitudes que descuidamos e não reparamos. Hoje, aqui, neste sofá preto, leio e paro para reparar nessa outra realidade do shopping.
À minha frente, a mãe tira o bebé do carrinho e embala-o em atenção. Senta-o na perna, segura-o, mima-o. Ao meu lado esquerdo, quase sem dar por isso, uma emigrante partilha com um provável conhecido no momento o porquê de não querer regressar ao país de origem. O senhor escuta-a, aconselha-a e partilha a sua experiência.
De repente, duas miúdas, com uns sete anos se tanto, assaltam a minha mesa e captam a minha atenção. Roubam-me os papéis de publicidade colocados na mesa à minha frente e riem-se para mim, depois entre elas. Um riso em jeito de retribuição por não correr atrás delas a reclamar.
Volto a olhar o bebé. Ri. De uma forma pura. Desvio para a emigrante. Ar menos carregado. Esboça um sorriso cansado, mas um sorriso. O seu interlocutor está de costas, creio que para salvaguardar a identidade de quem ajuda sem querer. Interrogo-me se a minha própria leitura não ficará agora bem mais enriquecida… Certamente que a do shopping sim!
Pensava que, por aqui, só havia pessoas a saltitar de loja em loja, conversas de saldos e marcas, banalidades de experimentar roupas e desdenhar do preço da etiqueta. Julgava que era só um espaço dos homens feitos cães de guarda, aguardando à porta das lojas em solidariedade para com as necessidades femininas; ou dos adolescentes se amontoarem à porta do cinema à espera da última sessão da tarde, ou dos pais arrastarem os filhos para o parque infantil para fazerem as suas compras descansadinhos.
Mas no lugar de sacos a roçar em mãos gastadoras, de tabuleiros de plástico a bater nas mesas de alumínio, de música comercial que ninguém escuta, há também espaço para pequenas atitudes que descuidamos e não reparamos. Hoje, aqui, neste sofá preto, leio e paro para reparar nessa outra realidade do shopping.
À minha frente, a mãe tira o bebé do carrinho e embala-o em atenção. Senta-o na perna, segura-o, mima-o. Ao meu lado esquerdo, quase sem dar por isso, uma emigrante partilha com um provável conhecido no momento o porquê de não querer regressar ao país de origem. O senhor escuta-a, aconselha-a e partilha a sua experiência.
De repente, duas miúdas, com uns sete anos se tanto, assaltam a minha mesa e captam a minha atenção. Roubam-me os papéis de publicidade colocados na mesa à minha frente e riem-se para mim, depois entre elas. Um riso em jeito de retribuição por não correr atrás delas a reclamar.
Volto a olhar o bebé. Ri. De uma forma pura. Desvio para a emigrante. Ar menos carregado. Esboça um sorriso cansado, mas um sorriso. O seu interlocutor está de costas, creio que para salvaguardar a identidade de quem ajuda sem querer. Interrogo-me se a minha própria leitura não ficará agora bem mais enriquecida… Certamente que a do shopping sim!
ah, como as coisas mais simples nos podem dar alento! como fugir à rotina pode ser algo mais do que fazer algo considerado "útil"...
ResponderEliminarno meio disto, há pessoas que nos fazem bem só por pensarmos nelas,e como era bom se elas soubessem que pensamos, para comunicarmos assim, simplesmente...