Foi ontem, já tarde. Ele gritava. Alto. Era capaz de se ouvir da rua. Tentei desvalorizar, aumentando o volume da música e apelando ao poder de concentração na leitura interrompida. A pouca espessura do tecto que nos separa obriga-me a ser testemunha silenciosa de algo que assumo como um drama com protagonistas reais.
Os impropérios cresciam de tom para te acertar e imaginava-te muda, numa imperturbalidade aparente, que despoletava mais do mesmo. Ele continuava a berrar sem se conseguir fazer ouvir. Movimentações desconexas. Imagens a assomar na minha consciência. Uma inércia comprometida.
Os impropérios cresciam de tom para te acertar e imaginava-te muda, numa imperturbalidade aparente, que despoletava mais do mesmo. Ele continuava a berrar sem se conseguir fazer ouvir. Movimentações desconexas. Imagens a assomar na minha consciência. Uma inércia comprometida.
Da próxima vez, quando nos cruzarmos, ocasionalmente, no elevador, evitarei o habitual cumprimento cordial. Olhá-lo-ei enojada como merecem esses indivíduos insignificantes que usam as esperanças, os sonhos e as alegrias da companheira como pano de trazer por casa para esfregar o chão que eles próprios cuspiram.

Olá!
ResponderEliminarSAbe como se chama a obra de Paula rego que publicou no post?
Obrigada pela atençao!
Pesquisas para um trabalho trouxeram-me até aqui...
ResponderEliminarGostei muito de ler alguns dos seus textos, este em particular... Pela sinceridade e transparência.