Soubesses tu lidar com as contingências acidentais, afectas a terceiros, e não te deixarias incomodar. Viverias tranquilo, sem carregar o silêncio que pesa por testemunhar as pequenas injustiças.
Nesses jogos de poder camuflado, há sempre uma parte que jamais tem possibilidade de ganhar. O elo mais fraco depende das cedências que faz ao elo mais forte para se manter em jogo.
Sim, pequeno sonhador, em qualquer lado há descontentamento, desinteresse e falta de entusiasmo pelo que se faz. Também já o senti, mas fui capaz de contrariar. Eu sei que estás assustado, mas é preferível que te consciencializes que, hoje, ninguém respeita ninguém.
Atropelamentos. Empurrões. Fintas. Rasteiras. Premeditações. Calculismo. Frieza. Vale tudo! São tomadas decisões irrevogáveis, sem deliberações. E é assim, dessa forma simplista e vergonhosa, que se perdem talentos, se destroem motivações, se desvalorizam remorsos e se destronam consciências.
Não se consideram os esforços, os empenhamentos desmedidos e os sacrifícios injustificáveis. O mérito esse vai para quem pouco percebe, mas sabe dizer umas coisas engraçadas ao jeito de uma publicidade barata que ainda assim chama a atenção pelo ridículo.
As pessoas subjugam-se às tiranias da vaidade prepotente, alicerçadas numa arrogância nojenta. Sei o que te revolta. Essa naturalidade com que se abraça para apunhalar pelas costas de forma insensível.
Não te sintas culpado pelo silêncio desanimado de quem testemunha as arbitrariedades, consentindo nesse pacto tácito fingir normalidade. Se ao menos pudesses pôr um pouco de justiça para reunir os equilíbrios balançantes, mas não podes.
Ao dares o próximo passo, cuidado com as sombras que crescem atrás de ti. Ao fazeres um elogio, cuidado com o tom que usas. Ao dares o melhor de ti, cuidado com a factura que acabará por te chegar a casa ainda antes de saíres. Ao investires o teu tempo, cuidado com a exigência do “aqui e agora para já”. Ao voltares-te para ti, cuidado para evitar que um dia não te reconheças.
Nesses jogos de poder camuflado, há sempre uma parte que jamais tem possibilidade de ganhar. O elo mais fraco depende das cedências que faz ao elo mais forte para se manter em jogo.
Sim, pequeno sonhador, em qualquer lado há descontentamento, desinteresse e falta de entusiasmo pelo que se faz. Também já o senti, mas fui capaz de contrariar. Eu sei que estás assustado, mas é preferível que te consciencializes que, hoje, ninguém respeita ninguém.
Atropelamentos. Empurrões. Fintas. Rasteiras. Premeditações. Calculismo. Frieza. Vale tudo! São tomadas decisões irrevogáveis, sem deliberações. E é assim, dessa forma simplista e vergonhosa, que se perdem talentos, se destroem motivações, se desvalorizam remorsos e se destronam consciências.
Não se consideram os esforços, os empenhamentos desmedidos e os sacrifícios injustificáveis. O mérito esse vai para quem pouco percebe, mas sabe dizer umas coisas engraçadas ao jeito de uma publicidade barata que ainda assim chama a atenção pelo ridículo.
As pessoas subjugam-se às tiranias da vaidade prepotente, alicerçadas numa arrogância nojenta. Sei o que te revolta. Essa naturalidade com que se abraça para apunhalar pelas costas de forma insensível.
Não te sintas culpado pelo silêncio desanimado de quem testemunha as arbitrariedades, consentindo nesse pacto tácito fingir normalidade. Se ao menos pudesses pôr um pouco de justiça para reunir os equilíbrios balançantes, mas não podes.
Ao dares o próximo passo, cuidado com as sombras que crescem atrás de ti. Ao fazeres um elogio, cuidado com o tom que usas. Ao dares o melhor de ti, cuidado com a factura que acabará por te chegar a casa ainda antes de saíres. Ao investires o teu tempo, cuidado com a exigência do “aqui e agora para já”. Ao voltares-te para ti, cuidado para evitar que um dia não te reconheças.
Dessa paz tão fugaz quanto um sorriso genuíno.
Da imperiosa necessidade de luz, sobram as sombras dos afectos.
Hoje. Aqui. Longe. Uma estranha vontade de fugir.
Quero essa serenidade de volta, só para mim.
Abandonar o equilíbrio entre sensibilidade e bom senso.
Contrario as saudades que sinto com o abraço dos estranhos.
Das adversidades escondo a ingénua esperança
De ficar aí, só, entre a solidão e o silêncio,
Procurando os reflexos do que fui.
A chuva lá fora, a altas horas da madrugada, traz-me reminiscências dessas esperanças confidenciadas à janela, atiradas para o vazio com confiança. Antes, gostava de ficar só assim à janela a desenhar ilusões por entre a chuva, sem medo de as molhar. Chovia com intensidade e intensamente eu acreditava em mim e nos outros.
Na noite que derrama chuva, despeço-me das perspectivas, quando se calhar era tempo de as agarrar... Na noite que não me devolve a mistura da chuva com o som da água a cair na fonte, resvalo para longe de mim. Permito-me que os dedos tentem tocar a inefável distância que nos aproxima e, na ousadia desse gesto, desejo que a proximidade não seja distante.
A rua encharcada. Deserta. Os sonos descansados por detrás das persianas cerradas. E apenas a luz pálida a filtrar a chuva que cai... Sinto que também nós caímos. Demasiadas vezes. E com as quedas sucessivas deixamos que algo se vá diluindo para sempre.
Na noite que derrama chuva, despeço-me das perspectivas, quando se calhar era tempo de as agarrar... Na noite que não me devolve a mistura da chuva com o som da água a cair na fonte, resvalo para longe de mim. Permito-me que os dedos tentem tocar a inefável distância que nos aproxima e, na ousadia desse gesto, desejo que a proximidade não seja distante.
A rua encharcada. Deserta. Os sonos descansados por detrás das persianas cerradas. E apenas a luz pálida a filtrar a chuva que cai... Sinto que também nós caímos. Demasiadas vezes. E com as quedas sucessivas deixamos que algo se vá diluindo para sempre.
No vazio da espera, conforto a dor com o meu silêncio. Enquanto aguardo neste corredor frio, pressinto as vidas e as mortes que estas paredes já assistiram. Assisto sem sentir a dor como minha. O verdadeiro sofrimento vem depois, quando as esperanças se calam e não se grita a solução para a cura.
Com os meus passos, feitos de reacção ao medo, percorro o espaço que me separa do teu quarto. Em olhares oblíquos perscruto a mortandade iminente. O teu corpo sem acção, apagou-te a voz, mas restou esse olhar cortante, dilacerante, que nos sacode as fraquezas.
Nestas horas que parecem anos, as emoções são enterradas vivas e a dependência é uma palavra que me assusta. Não permiti a mim mesma acreditar no que me tentavam dizer. Pleonasmos de termos científicos foi a interpretação que fiz.
Com os meus passos, feitos de reacção ao medo, percorro o espaço que me separa do teu quarto. Em olhares oblíquos perscruto a mortandade iminente. O teu corpo sem acção, apagou-te a voz, mas restou esse olhar cortante, dilacerante, que nos sacode as fraquezas.
Nestas horas que parecem anos, as emoções são enterradas vivas e a dependência é uma palavra que me assusta. Não permiti a mim mesma acreditar no que me tentavam dizer. Pleonasmos de termos científicos foi a interpretação que fiz.
Nestas alturas, um milagre recolhe as últimas súplicas de dias melhores. Ninguém tem o direito de nos arrancar o optimismo com que procuramos iludir-nos. Recusei-me até ao fim e a dor não foi maior por isso. Foi a única forma de sobreviver a esses dias sem me deixar sucumbir a eles.
Quando chegou o momento, fui obrigada a expatriar a réstia de esperança para o mais longínquo dos lugares da minha mente. A dor apoderou-se do coração ferido, apertando-o. Contudo, a última imagem, aquela que se deve guardar, tem que ser fiel a nós próprios, a nós num qualquer outro dia normal. Alistei a coragem à dor para enfrentar aquele olhar profundo de um corpo em agonia.
Olhei de frente. Parei. Empurrei as palavras que se entalaram na garganta e, no tom de voz que não era o meu, disse algo no qual também não acreditava, nem poderia acreditar, mas fi-lo porque o devia a ti. Pior que as palavras foi o simulacro de sorriso que expulsei.
Em contraste, uma lágrima, que caiu do teu rosto. Antes que tu pudesses ver as minhas, despedi-me de ti e virei costas àquele quarto, que se tornou local de peregrinação nos últimos tempos, testemunho da nossa preocupação e cuidado, átrio das visitas oficiais e dos que permaneceram.
Ao caminhar pelo corredor, em sentido inverso, não consigo mais reprimir o desespero que a tua última imagem me pregou no coração. Ouço o soluçar dos outros e a tentativa de conforto de alguém que se cruza comigo. Afasto-o porque já me conhece e sabe que vou chorar sozinha, livre das penas alheias, longe dos carinhos circunstanciais.
Hoje fico apenas a sentir as lágrimas agrestes que se me cravam no rosto, relembrando as vivências irrepetíveis que partilhámos, perdidas para sempre. No espelho do elevador sombrio, vejo o esquisso irreversível de quem já perdeu e ainda não soube como recuperar.
Desço sozinha e limpo as lágrimas. Abre-se a porta de metal. Enfrento a luz que entra pelos vidros sujos da sala de espera e deixo-a para trás. Comigo levo o pouco de ti que deixaste em mim.
Quando chegou o momento, fui obrigada a expatriar a réstia de esperança para o mais longínquo dos lugares da minha mente. A dor apoderou-se do coração ferido, apertando-o. Contudo, a última imagem, aquela que se deve guardar, tem que ser fiel a nós próprios, a nós num qualquer outro dia normal. Alistei a coragem à dor para enfrentar aquele olhar profundo de um corpo em agonia.
Olhei de frente. Parei. Empurrei as palavras que se entalaram na garganta e, no tom de voz que não era o meu, disse algo no qual também não acreditava, nem poderia acreditar, mas fi-lo porque o devia a ti. Pior que as palavras foi o simulacro de sorriso que expulsei.
Em contraste, uma lágrima, que caiu do teu rosto. Antes que tu pudesses ver as minhas, despedi-me de ti e virei costas àquele quarto, que se tornou local de peregrinação nos últimos tempos, testemunho da nossa preocupação e cuidado, átrio das visitas oficiais e dos que permaneceram.
Ao caminhar pelo corredor, em sentido inverso, não consigo mais reprimir o desespero que a tua última imagem me pregou no coração. Ouço o soluçar dos outros e a tentativa de conforto de alguém que se cruza comigo. Afasto-o porque já me conhece e sabe que vou chorar sozinha, livre das penas alheias, longe dos carinhos circunstanciais.
Hoje fico apenas a sentir as lágrimas agrestes que se me cravam no rosto, relembrando as vivências irrepetíveis que partilhámos, perdidas para sempre. No espelho do elevador sombrio, vejo o esquisso irreversível de quem já perdeu e ainda não soube como recuperar.
Desço sozinha e limpo as lágrimas. Abre-se a porta de metal. Enfrento a luz que entra pelos vidros sujos da sala de espera e deixo-a para trás. Comigo levo o pouco de ti que deixaste em mim.
Há sempre pequenos fragmentos que nos resgatam sentimentos,
Palavras soltas que nos rasgam sorrisos em formato de letras,
Abraços distantes que nos reportam para a força dos laços.
Palavras soltas que nos rasgam sorrisos em formato de letras,
Abraços distantes que nos reportam para a força dos laços.
Olhando o mar, sonho sem ter de quê.
Nada no mar, salvo o ser mar, se vê.
Mas de se nada ver quanto a alma sonha!
De que me servem a verdade e a fé?
Ver claro! Quantos, que fatais erramos,
Em ruas ou em estradas ou sob ramos,
Temos esta certeza e sempre e em tudo
Sonhamos e sonhamos e sonhamos.
As árvores longínquas da floresta
Parecem, por longínquas, estar em festa.
Quanto acontece porque se não vê!
Mas do que há pouco ou não há o mesmo resta.
Se tive amores? Já não sei se os tive.
Quem ontem fui já hoje em mim não vive.
Bebe, que tudo é líquido e embriaga,
E a vida morre enquanto o ser revive.
Colhes rosas? Que colhes, se hão-de ser
Motivos coloridos de morrer?
Mas colhe rosas. Porque não colhê-las
Se te agrada e tudo é deixar de o haver?
Fernando Pessoa
Nada no mar, salvo o ser mar, se vê.
Mas de se nada ver quanto a alma sonha!
De que me servem a verdade e a fé?
Ver claro! Quantos, que fatais erramos,
Em ruas ou em estradas ou sob ramos,
Temos esta certeza e sempre e em tudo
Sonhamos e sonhamos e sonhamos.
As árvores longínquas da floresta
Parecem, por longínquas, estar em festa.
Quanto acontece porque se não vê!
Mas do que há pouco ou não há o mesmo resta.
Se tive amores? Já não sei se os tive.
Quem ontem fui já hoje em mim não vive.
Bebe, que tudo é líquido e embriaga,
E a vida morre enquanto o ser revive.
Colhes rosas? Que colhes, se hão-de ser
Motivos coloridos de morrer?
Mas colhe rosas. Porque não colhê-las
Se te agrada e tudo é deixar de o haver?
Fernando Pessoa
Ao observar o horizonte velado pelos telhados pontiagudos das casas dos outros, senti um ardor nos olhos. Nesta manhã quase primaveril, uma sensação de posse percorre-me a alma e faz sucumbir as ambições. Resignada, admiti que os esforços foram inauditos, mas em vão. Há razões ocultas, imperturbáveis, persistentes que não evitam que hoje, nos primórdios matinais, tenha sentido as ruínas dos momentos felizes.
Lágrimas de papel brotam dos meus olhos, exaustos da futilidade de alguns dias, do pedantismo de certas pessoas desinteressantes. Mata-me essa mania das pessoas desgraçadas que se queixam de ser afortunadas por coisas supérfluas e afectos vazios.
Ao ver o horizonte tapado, nublado, aborrecido, olhei para mim e senti-me uma cópia do mesmo, simétrica ao rigor do milímetro. Mas como caberia em mim o horizonte? Talvez por tudo tenha deixado cair lágrimas de papel. Porém, na tinta emotiva, falham as propriedades de permanência além tempo e além circunstâncias.
Lágrimas de papel brotam dos meus olhos, exaustos da futilidade de alguns dias, do pedantismo de certas pessoas desinteressantes. Mata-me essa mania das pessoas desgraçadas que se queixam de ser afortunadas por coisas supérfluas e afectos vazios.
Ao ver o horizonte tapado, nublado, aborrecido, olhei para mim e senti-me uma cópia do mesmo, simétrica ao rigor do milímetro. Mas como caberia em mim o horizonte? Talvez por tudo tenha deixado cair lágrimas de papel. Porém, na tinta emotiva, falham as propriedades de permanência além tempo e além circunstâncias.
Edifício novo, de cor branca, com a placa comemorativa da inauguração por sua excelência o Presidente da República bem à entrada. Corredor limpo. Agradável. Com luz. Ladeado por dois compartimentos. Paredes de vidro, sem respeitar a privacidade das refeições e o convívio das solidões não assumidas, empurradas para os subúrbios dos esquecimentos.
Gente que se movimenta de um lado para o outro, presta cuidados, disponibiliza atenção em troca de um sorriso igual. Contexto normal, quebrado pela consciência das necessidades que um dia poderemos sentir, pelas dependências que não insistiremos sequer retaliar, quanto mais combater...
Precisar de alguém para tomar banho, para comer, para caminhar é verdadeiramente assustador. O cenário desarma, mas fica para trás depois de percorrermos o mesmo corredor, só que no sentido inverso! O pior é ter alguém prestável, atencioso, a zelar pelo bem-estar, mas que não pode ajudar a resgatar memórias perdidas.
Fundo do corredor, voltar à esquerda e na sala em frente, ao canto, entre o armário encostado à parede e a cadeira de madeira nova, um vulto sentado. Cabelos brancos. Magreza pálida. Voz colocada no desespero dos minutos que não fazem parte das horas seguintes. Quer ir passear para a quinta que nunca teve. E insiste, quase desesperada.
Livrarmo-nos assim daquilo que um dia fomos por uma qualquer fatalidade incompreensível, incontrolável e imprevisível, é arrepiante. Perceber as memórias como construções lego: ordenadas, com cores vivas, montadas à velocidade da idade e, depois, facilmente, rapidamente, injustamente desagregadas.
Ela repete, repete, repete e volta a repetir a mesma frase. Perco o número de vezes que desejo nesse longo instante apagar aquela imagem, não projectar a sua possibilidade num futuro. Entristece-me saber que ela não tem malas com pensamentos, nem segredos nas gavetas, que tudo foi varrido por um esquecimento atroz e desumano.
Creio que não fui capaz de olhar para trás quando estava de saída... Aqueles minutos ressoam ainda horas depois, dias depois, com um já incontável número de percepções que um dia poderei deixar de lembrar...
Gente que se movimenta de um lado para o outro, presta cuidados, disponibiliza atenção em troca de um sorriso igual. Contexto normal, quebrado pela consciência das necessidades que um dia poderemos sentir, pelas dependências que não insistiremos sequer retaliar, quanto mais combater...
Precisar de alguém para tomar banho, para comer, para caminhar é verdadeiramente assustador. O cenário desarma, mas fica para trás depois de percorrermos o mesmo corredor, só que no sentido inverso! O pior é ter alguém prestável, atencioso, a zelar pelo bem-estar, mas que não pode ajudar a resgatar memórias perdidas.
Fundo do corredor, voltar à esquerda e na sala em frente, ao canto, entre o armário encostado à parede e a cadeira de madeira nova, um vulto sentado. Cabelos brancos. Magreza pálida. Voz colocada no desespero dos minutos que não fazem parte das horas seguintes. Quer ir passear para a quinta que nunca teve. E insiste, quase desesperada.
Livrarmo-nos assim daquilo que um dia fomos por uma qualquer fatalidade incompreensível, incontrolável e imprevisível, é arrepiante. Perceber as memórias como construções lego: ordenadas, com cores vivas, montadas à velocidade da idade e, depois, facilmente, rapidamente, injustamente desagregadas.
Ela repete, repete, repete e volta a repetir a mesma frase. Perco o número de vezes que desejo nesse longo instante apagar aquela imagem, não projectar a sua possibilidade num futuro. Entristece-me saber que ela não tem malas com pensamentos, nem segredos nas gavetas, que tudo foi varrido por um esquecimento atroz e desumano.
Creio que não fui capaz de olhar para trás quando estava de saída... Aqueles minutos ressoam ainda horas depois, dias depois, com um já incontável número de percepções que um dia poderei deixar de lembrar...
Cansaço entusiasmado? Vitalidade desfeita? Rotina inconsciente? Ânimo apagado? Vontade dessincronizada? Talvez sejam só energias gastas. Raramente lhe sentimos os pés de Aquiles quando calçamos a motivação no tamanho apertado...
Ritmos acelerados são incompatíveis com instantes demorados para gravar e guardar. Pequenos gestos não são absorvidos com a mesma predisposição de quem se preocupa mais em olhar do que ver. Há palavras ditas a escapar do léxico dos vocábulos proferidos com conotação.
O livro jaz à beira da cama por fazer, na pressa de acordar e ir ao encontro das realidades fechadas, difíceis na sua aparente acessibilidade. E o silêncio, aquele de que todos fogem, nem sequer se chega a perceber a presença.
É com um pouco de sossego que a caneta volta a assumir uma liderança natural por entre os dedos esvaziados de forças para segurá-la com a destreza de antes. Escrever em vez de teclar, atropelar pensamentos em vez de matar impressões fugidias.
Ontem pude Escrever. A maiúscula do verbo tem um formato colossal, equivalente à minha incapacidade de admitir o quão falta me faz sentir necessidade de conjugar palavras à luz desse candeeiro de tempo.
Reparo na ausência de motivos para escrever e culpabilizo-me pela desatenção perante as imagens dos dias. Parece que deixei de extrair a essência para ficar à deriva na superficialidade que não incomoda nem questiona.
Ritmos acelerados são incompatíveis com instantes demorados para gravar e guardar. Pequenos gestos não são absorvidos com a mesma predisposição de quem se preocupa mais em olhar do que ver. Há palavras ditas a escapar do léxico dos vocábulos proferidos com conotação.
O livro jaz à beira da cama por fazer, na pressa de acordar e ir ao encontro das realidades fechadas, difíceis na sua aparente acessibilidade. E o silêncio, aquele de que todos fogem, nem sequer se chega a perceber a presença.
É com um pouco de sossego que a caneta volta a assumir uma liderança natural por entre os dedos esvaziados de forças para segurá-la com a destreza de antes. Escrever em vez de teclar, atropelar pensamentos em vez de matar impressões fugidias.
Ontem pude Escrever. A maiúscula do verbo tem um formato colossal, equivalente à minha incapacidade de admitir o quão falta me faz sentir necessidade de conjugar palavras à luz desse candeeiro de tempo.
Reparo na ausência de motivos para escrever e culpabilizo-me pela desatenção perante as imagens dos dias. Parece que deixei de extrair a essência para ficar à deriva na superficialidade que não incomoda nem questiona.
O frio que não sinto incomoda-me por ti, que desconheço o paradeiro. Ignoro o aconchego das almofadas do sofá e penso naquele encontro fortuito que nos aproximou. A mesma paixão pelas palavras, a mesma crença num tratamento igualitário para todos, a mesma força nos ideais, o optimismo no dia de amanhã.
Hoje, sem a vida ter pedido autorização, não sei de ti... Algo de revoltante se enraivece no meu peito. Trago esse sentimento domesticado a maior parte do tempo, mas não o domino quando o barulho do frio se entranha pela janela e abana as lembranças.
Apetece-me percorrer as ruas e tentar encontrar-te. Mas em quais? E de que cidade? O luar que um dia foi inspirador, aflitivo e, mais tarde, constrangedor é, por vezes, até para mim doloroso de aceitar como belo. A beleza estava naquela noite com um olhar ensombrado, mas nos recantos: a esperança na mudança.
O mundo agreste fechou-te portas, esmagou sonhos, matou afectos. No fim, agarraste-te outra vez à segurança de ti, à fraqueza da tua força. Não esmoreceste, só fugiste. Hoje será que a fuga está na origem da ausência de sinais?
Preocupa-me o frio que não sinto... Imaginar que não o sentes nas malhas da camisola gasta, mas algures mais além, a roçar-te a alma... A vida é, de facto, injusta quando consegue congelar os sonhos pequeninos de quem é grande de si, de quem despe a vergonha de desenrolar sentimentos ao luar. Até medos inconfessados, enraizados e confidenciais ditos à luz de estrelas apagadas.
Lá fora, sempre lá fora, a uma distância de mim, procuro-te na íntima vontade de querer saber se tão somente não estarás a ter frio ou mera vontade de conversar ao ritmo dos passos de quem não tem que chegar a horas a lado algum.
A manta que me cobre os joelhos pesa-me como chumbo, legitima a inércia, mas jamais a indiferença ou sequer o esquecimento. Poderei nem voltar a encontrar-te, permanece comigo a grande lição que aprendi contigo. O frio tem várias temperaturas anímicas consoante tenhamos um lugar nosso, um tempo por viver e alguém com quem se justifique tocar as estrelas com o olhar desanimado, saltitante e determinado.
Deitada neste sofá confortável desejo que a Lua te devolva a sorte que o Sol te roubou e que a paz de espírito te sequestre nas dobras do tempo resgatado aos melhores períodos da tua vida vivida.
Hoje, sem a vida ter pedido autorização, não sei de ti... Algo de revoltante se enraivece no meu peito. Trago esse sentimento domesticado a maior parte do tempo, mas não o domino quando o barulho do frio se entranha pela janela e abana as lembranças.
Apetece-me percorrer as ruas e tentar encontrar-te. Mas em quais? E de que cidade? O luar que um dia foi inspirador, aflitivo e, mais tarde, constrangedor é, por vezes, até para mim doloroso de aceitar como belo. A beleza estava naquela noite com um olhar ensombrado, mas nos recantos: a esperança na mudança.
O mundo agreste fechou-te portas, esmagou sonhos, matou afectos. No fim, agarraste-te outra vez à segurança de ti, à fraqueza da tua força. Não esmoreceste, só fugiste. Hoje será que a fuga está na origem da ausência de sinais?
Preocupa-me o frio que não sinto... Imaginar que não o sentes nas malhas da camisola gasta, mas algures mais além, a roçar-te a alma... A vida é, de facto, injusta quando consegue congelar os sonhos pequeninos de quem é grande de si, de quem despe a vergonha de desenrolar sentimentos ao luar. Até medos inconfessados, enraizados e confidenciais ditos à luz de estrelas apagadas.
Lá fora, sempre lá fora, a uma distância de mim, procuro-te na íntima vontade de querer saber se tão somente não estarás a ter frio ou mera vontade de conversar ao ritmo dos passos de quem não tem que chegar a horas a lado algum.
A manta que me cobre os joelhos pesa-me como chumbo, legitima a inércia, mas jamais a indiferença ou sequer o esquecimento. Poderei nem voltar a encontrar-te, permanece comigo a grande lição que aprendi contigo. O frio tem várias temperaturas anímicas consoante tenhamos um lugar nosso, um tempo por viver e alguém com quem se justifique tocar as estrelas com o olhar desanimado, saltitante e determinado.
Deitada neste sofá confortável desejo que a Lua te devolva a sorte que o Sol te roubou e que a paz de espírito te sequestre nas dobras do tempo resgatado aos melhores períodos da tua vida vivida.
Pela primeira vez senti um centro comercial como um lugar apetecível só para se estar sentado num sofá a ler uma revista, intercalando a leitura com a observação daquilo que se atropela para aparecer no nosso campo de visão.
Pensava que, por aqui, só havia pessoas a saltitar de loja em loja, conversas de saldos e marcas, banalidades de experimentar roupas e desdenhar do preço da etiqueta. Julgava que era só um espaço dos homens feitos cães de guarda, aguardando à porta das lojas em solidariedade para com as necessidades femininas; ou dos adolescentes se amontoarem à porta do cinema à espera da última sessão da tarde, ou dos pais arrastarem os filhos para o parque infantil para fazerem as suas compras descansadinhos.
Mas no lugar de sacos a roçar em mãos gastadoras, de tabuleiros de plástico a bater nas mesas de alumínio, de música comercial que ninguém escuta, há também espaço para pequenas atitudes que descuidamos e não reparamos. Hoje, aqui, neste sofá preto, leio e paro para reparar nessa outra realidade do shopping.
À minha frente, a mãe tira o bebé do carrinho e embala-o em atenção. Senta-o na perna, segura-o, mima-o. Ao meu lado esquerdo, quase sem dar por isso, uma emigrante partilha com um provável conhecido no momento o porquê de não querer regressar ao país de origem. O senhor escuta-a, aconselha-a e partilha a sua experiência.
De repente, duas miúdas, com uns sete anos se tanto, assaltam a minha mesa e captam a minha atenção. Roubam-me os papéis de publicidade colocados na mesa à minha frente e riem-se para mim, depois entre elas. Um riso em jeito de retribuição por não correr atrás delas a reclamar.
Volto a olhar o bebé. Ri. De uma forma pura. Desvio para a emigrante. Ar menos carregado. Esboça um sorriso cansado, mas um sorriso. O seu interlocutor está de costas, creio que para salvaguardar a identidade de quem ajuda sem querer. Interrogo-me se a minha própria leitura não ficará agora bem mais enriquecida… Certamente que a do shopping sim!
Pensava que, por aqui, só havia pessoas a saltitar de loja em loja, conversas de saldos e marcas, banalidades de experimentar roupas e desdenhar do preço da etiqueta. Julgava que era só um espaço dos homens feitos cães de guarda, aguardando à porta das lojas em solidariedade para com as necessidades femininas; ou dos adolescentes se amontoarem à porta do cinema à espera da última sessão da tarde, ou dos pais arrastarem os filhos para o parque infantil para fazerem as suas compras descansadinhos.
Mas no lugar de sacos a roçar em mãos gastadoras, de tabuleiros de plástico a bater nas mesas de alumínio, de música comercial que ninguém escuta, há também espaço para pequenas atitudes que descuidamos e não reparamos. Hoje, aqui, neste sofá preto, leio e paro para reparar nessa outra realidade do shopping.
À minha frente, a mãe tira o bebé do carrinho e embala-o em atenção. Senta-o na perna, segura-o, mima-o. Ao meu lado esquerdo, quase sem dar por isso, uma emigrante partilha com um provável conhecido no momento o porquê de não querer regressar ao país de origem. O senhor escuta-a, aconselha-a e partilha a sua experiência.
De repente, duas miúdas, com uns sete anos se tanto, assaltam a minha mesa e captam a minha atenção. Roubam-me os papéis de publicidade colocados na mesa à minha frente e riem-se para mim, depois entre elas. Um riso em jeito de retribuição por não correr atrás delas a reclamar.
Volto a olhar o bebé. Ri. De uma forma pura. Desvio para a emigrante. Ar menos carregado. Esboça um sorriso cansado, mas um sorriso. O seu interlocutor está de costas, creio que para salvaguardar a identidade de quem ajuda sem querer. Interrogo-me se a minha própria leitura não ficará agora bem mais enriquecida… Certamente que a do shopping sim!
Caros visitantes,
sei que este post já vem um pouco desactualizado, mas não tive oportunidade antes. De qualquer modo, as fotografias valem por si em qualquer altura do ano! Aqui ficam algumas imagens daquele que é considerado o Entrudo mais típico de Portugal: o Carnaval de Lazarim (no concelho de Lamego).
Na noite em que retomo a escrita desimpedida de deadlines, o entusiasmo de volta à ponta dos dedos, ritmado por uma música serena que alguém me enviou. Ouço-a e aprecio-a! Às vezes, apetecia-me ser livre de mim mesma. Poder evadir-me dos medos e das ansiedades. Poder poupar-me aos pequenos, mas lancinantes sofrimentos. Gostava de estar dos dois lados conforme a minha própria conveniência.
Como gostava de me refugiar fora dos meus pensamentos. Amarrar-me à minha liberdade, sem considerar isso sobranceria ou capricho. Apetecia-me ser como o balão encarnado que se solta da mão do miúdo na varanda e se afasta com destino incerto em direcção à imensidão do céu que nos abriga. Se fosse impelida pelo vento, não sentiria o peso das minhas indecisões. Se me desprendesse da mão de alguém, porque tinha que ser, não sentiria saudades. Voaria apenas para longe do alcance do olhar que tenta beliscar o horizonte.
Quando vou espreitar a minha varanda, gostava de me observar do outro lado da janela. Queria fazer a leitura de alguém que não está a dormir e enumerar motivos imaginários, com a segurança de desconhecer o verdadeiro.
Às vezes gostava de ignorar aquilo que institui como meu, aquilo que me prende pelo olhar, aquilo que me chega pelo tacto do coração. Gostava de tomar a forma do balão e ir ancorar num qualquer recanto inóspito, inexplorado, solitário. Contudo, se me tento afastar de mim, intempestivamente volto a mim e agarro aquilo que de mim ameaça fugir e acaba por não haver libertação possível.
Nesta noite que corre atrás da madrugada, não me aproximo da varanda e vejo a praceta dos infelizes que não dormem porque se afastaram de si sem se soltar. Interrogo-me: será o sono deles alguma vez tranquilo? Em formato de balão mal enchido, vagueio até à varanda e já não vejo nada.
Estarei já do outro lado a observar-me com distanciamento e objectividade? Ou apenas estarei deste lado, anestesiada pela melancolia da música, tentando abraçar a liberdade do não pensar, do não sentir?
Esvaziada de palavras, crescem cá dentro os silêncios como castelos de cartas: construídos em bases frágeis que explicam o imediato e completo desmoronamento. Agora, sendo impossível estar em ambos os lados, troco o relógio pelas horas. Esqueço a vontade de partir sem sair daqui, pois já fui e não voltei.
Como gostava de me refugiar fora dos meus pensamentos. Amarrar-me à minha liberdade, sem considerar isso sobranceria ou capricho. Apetecia-me ser como o balão encarnado que se solta da mão do miúdo na varanda e se afasta com destino incerto em direcção à imensidão do céu que nos abriga. Se fosse impelida pelo vento, não sentiria o peso das minhas indecisões. Se me desprendesse da mão de alguém, porque tinha que ser, não sentiria saudades. Voaria apenas para longe do alcance do olhar que tenta beliscar o horizonte.
Quando vou espreitar a minha varanda, gostava de me observar do outro lado da janela. Queria fazer a leitura de alguém que não está a dormir e enumerar motivos imaginários, com a segurança de desconhecer o verdadeiro.
Às vezes gostava de ignorar aquilo que institui como meu, aquilo que me prende pelo olhar, aquilo que me chega pelo tacto do coração. Gostava de tomar a forma do balão e ir ancorar num qualquer recanto inóspito, inexplorado, solitário. Contudo, se me tento afastar de mim, intempestivamente volto a mim e agarro aquilo que de mim ameaça fugir e acaba por não haver libertação possível.
Nesta noite que corre atrás da madrugada, não me aproximo da varanda e vejo a praceta dos infelizes que não dormem porque se afastaram de si sem se soltar. Interrogo-me: será o sono deles alguma vez tranquilo? Em formato de balão mal enchido, vagueio até à varanda e já não vejo nada.
Estarei já do outro lado a observar-me com distanciamento e objectividade? Ou apenas estarei deste lado, anestesiada pela melancolia da música, tentando abraçar a liberdade do não pensar, do não sentir?
Esvaziada de palavras, crescem cá dentro os silêncios como castelos de cartas: construídos em bases frágeis que explicam o imediato e completo desmoronamento. Agora, sendo impossível estar em ambos os lados, troco o relógio pelas horas. Esqueço a vontade de partir sem sair daqui, pois já fui e não voltei.
Numa paisagem cinzenta, a força de uma raiz revela-se na forma como resiste às fortes intempéries, aos ventos agrestes, às chuvas torrenciais, aos sóis tórridos: segura da sua resistência e capaz de proteger os ramos que sustenta. Assim é com os valores que defendemos. Ou pelo menos deve ser. Mesmo que no cenário se desenhem ameaças, tentativas de subversão, agonias de conivências, há que lutar para continuarmos a ser verticais e firmes naquilo em que acreditamos.
O pulsar do tempo na agenda rabiscada.
Os desafios à capacidade de resposta.
A demanda dos locais desconhecidos.
O inesperado de quem se vai encontrar.
O investigar, o insistir, o teimar, em último caso, o contornar.
O telefone que toca. Os e-mails que chegam.
O respirar longe da cadeira almofadada defronte do PC.
A gestão da expectativa no trabalho final.
Os desafios à capacidade de resposta.
A demanda dos locais desconhecidos.
O inesperado de quem se vai encontrar.
O investigar, o insistir, o teimar, em último caso, o contornar.
O telefone que toca. Os e-mails que chegam.
O respirar longe da cadeira almofadada defronte do PC.
A gestão da expectativa no trabalho final.
As saudades de girar em torno de várias coisas.
E ao final do dia, os momentos de pausa para recriar a inspiração e propiciar uma análise tranquila. Pela madrugada, o sorriso largo de missão cumprida... por hoje! E a certeza de que já amanhã, daqui a umas horas talvez, a roda-viva recomeça com novo ímpeto.
E ao final do dia, os momentos de pausa para recriar a inspiração e propiciar uma análise tranquila. Pela madrugada, o sorriso largo de missão cumprida... por hoje! E a certeza de que já amanhã, daqui a umas horas talvez, a roda-viva recomeça com novo ímpeto.
Era disto que eu sentia falta... Essencialmente, do contacto com as outras realidades e a percepção de que, na maioria das vezes, estou mais distante das verdades que julgava próximas e adquiridas.
Não entendo como quando se chega ao topo não se sofre de vertigens! Imagino a expressão dos que se debruçam, ocasionalmente, sobre a varanda do orgulho. Desprezam os trilhos do caminho percorrido. Esquecem o apreço para com as pessoas com que cruzaram. Gabam-se de terem conseguido chegar longe, sem a ajuda de ninguém.
Uma vez li que devemos respeitar sempre as pessoas que encontramos quando estamos a subir, pois poderemos voltar a encontrá-las aquando da descida. Não aceito e não convivo pacificamente com as pessoas que, para se sentirem superiores, espezinham até ao tutano os outros. Denunciam defeitos alheios para fazer sobressair as suas virtudes.
Revolta-me se noto ausência de consideração pelos que nos ajudam, falhas no tratamento justo para com as pessoas que convivem connosco diariamente. Envergonho-me quando não há sequer o mínimo de educação perante os que, simpaticamente, ainda nos saúdam na rua.
Não gosto dessa impessoalidade das cidades. Não suporto os distanciamentos baseados na diferença das condições socioeconómicas. Não aguento ver tanta arrogância e desprezo.
Inconformada, não! Apenas triste. O facto de ter esta consciência das coisas em nada contribui para mudá-las. Escapa ao alcance da minha vontade. Por vezes, desanimo. Parece que o mal que nasce nas vísceras de certas pessoas é pré-requisito para serem bem sucedidas, acarinhadas e estimadas. As mesmas que são mal educadas, desumanas e falsas. Gente assim acaba por vingar sem fazer dos escrúpulos arma de arremesso. E eu só gostava que a realidade fosse capaz de desdizer estas palavras.
Uma vez li que devemos respeitar sempre as pessoas que encontramos quando estamos a subir, pois poderemos voltar a encontrá-las aquando da descida. Não aceito e não convivo pacificamente com as pessoas que, para se sentirem superiores, espezinham até ao tutano os outros. Denunciam defeitos alheios para fazer sobressair as suas virtudes.
Revolta-me se noto ausência de consideração pelos que nos ajudam, falhas no tratamento justo para com as pessoas que convivem connosco diariamente. Envergonho-me quando não há sequer o mínimo de educação perante os que, simpaticamente, ainda nos saúdam na rua.
Não gosto dessa impessoalidade das cidades. Não suporto os distanciamentos baseados na diferença das condições socioeconómicas. Não aguento ver tanta arrogância e desprezo.
Inconformada, não! Apenas triste. O facto de ter esta consciência das coisas em nada contribui para mudá-las. Escapa ao alcance da minha vontade. Por vezes, desanimo. Parece que o mal que nasce nas vísceras de certas pessoas é pré-requisito para serem bem sucedidas, acarinhadas e estimadas. As mesmas que são mal educadas, desumanas e falsas. Gente assim acaba por vingar sem fazer dos escrúpulos arma de arremesso. E eu só gostava que a realidade fosse capaz de desdizer estas palavras.
Pergunto-me porque abres assim o coração. É preferível um postigo entreaberto às portas escancaradas. As emoções precisam de respirar por si, no limite do tempo vagabundo.
Circulas nas imediações do outro. Tentas a aproximação. Começas a ficar. Às tantas já deixaste de permanecer. Descobres que já não és fiel ao que dizias sentir. Por isso, antes de confidenciares sentimentos, certifica-te que não são passageiros, fugazes, apenas audazes de um desejo que não se concretiza. Não faças acreditar sem perceber a luta travada por dentro para mudar sob a sombra das altas palmeiras. Evita que alguém siga a bíblia dos fonemas que soltas do teu coração sem quereres realmente uma sinfonia, cantada a duas vozes desencontradas.
Ainda hoje me espanto porque razão é que se queremos não insistimos. Porque é que se não é aquilo que esperamos, persistimos? Para quê desgaste, cansaço, pessimismo, cinzas de sonhos que não chegaram a ser comuns?
Circulas nas imediações do outro. Tentas a aproximação. Começas a ficar. Às tantas já deixaste de permanecer. Descobres que já não és fiel ao que dizias sentir. Por isso, antes de confidenciares sentimentos, certifica-te que não são passageiros, fugazes, apenas audazes de um desejo que não se concretiza. Não faças acreditar sem perceber a luta travada por dentro para mudar sob a sombra das altas palmeiras. Evita que alguém siga a bíblia dos fonemas que soltas do teu coração sem quereres realmente uma sinfonia, cantada a duas vozes desencontradas.
Ainda hoje me espanto porque razão é que se queremos não insistimos. Porque é que se não é aquilo que esperamos, persistimos? Para quê desgaste, cansaço, pessimismo, cinzas de sonhos que não chegaram a ser comuns?

