Cada um de nós é o responsável pelo leme que desenha o rumo dos nossos dias. Cada um de nós, por vezes, perde o sentido de orientação e não tem uma bússola para o auxiliar. Cada um de nós está sozinho nessa navegação, por isso há que evitar as colisões e minimizar os estragos de tempestades ferozes que quase destroem a nossa embarcação. Cada um de nós, depois de andar à deriva, reencontra na acalmia dos dias o que se esconde atrás da monotonia… É assim que se descobrem novas terras e lugares, novas pessoas e ideais.
Se decidimos ancorar, a nossa viagem fica em stand-by. Outros homens de outros lemes e de outros tempos acabam por nos tentar prender a terras de náufragos, impedindo-nos de flutuar em alto mar, mesmo sem rota traçada, mesmo na crispa das marés gigantescas, mesmo sem ânimo do homem do leme… A dignidade de um verdadeiro homem do leme está em vencer a fúria das águas e nunca em deixar-se prender à segurança de um qualquer porto terreno.
O que mais atormenta qualquer homem do leme é a dificuldade de rasgar a saudade de tudo aquilo que deixou antes de partir: algo que não esquece por muitos mares que desbrave, por muitas terras que descubra, por muitos encantos que lhe estejam reservados. As bonanças e desventuras do homem do leme, ainda que as atire à água agitada para as sacudir da memória, permanecem congeladas no seu coração. E tudo para que possa retomar o controlo do leme.
E uma vontade de rir
Nasce no fundo do ser
E uma vontade de ir
Correr o mundo e partir
A vida é sempre a perder
Esta é uma das partes que mais gosto… Poucas vezes acontece sentirmos essa “vontade de rir” que “nasce no fundo do ser”. Quantas vezes o homem do leme ri sem vontade? Quantas vezes o homem do leme está em pânico e esboça um sorriso para se convencer da sua resistência? Quantas vezes ri para transparecer, aos demais tripulantes, uma segurança que não sente? Vezes sem conta.
Porém, quando o homem do leme sente “uma vontade de rir” que “nasce do fundo do ser” é porque algo o preenche: seja um mar tranquilo que se estende a seus pés, seja um horizonte crepuscular lentamente abandonado pelo sol que o enche de paz.
Mais frequente é a “vontade de ir / correr o mundo e partir”, não tanto a capacidade de satisfazer essa vontade… E a razão principal é: “a vida é sempre a perder”. Perde-se o sonho, perde-se a motivação, perde-se a razão, perde-se a liberdade, perde-se a coragem, perde-se o “eu” de cada um nos labirintos da vida...
Ao longe, avista-se um farol de luz ténue, que dista do nosso barco longas milhas. O verdadeiro homem do leme crê que nunca é tarde de mais para alcançá-lo. De facto, todos andamos às escuras por mundos excessivamente iluminados… O homem do leme representa a crença íntima que mora algures em cada um de nós: nunca é tarde de mais para viver.
Para terminar, faço minhas as palavras do meu amigo Paulo: “esta é uma música de sempre e para sempre”!
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
ResponderEliminarO Homem do Leme....tantas vezes ouço esta musica e sempre das mais variadas maneiras, sempre com um sentido diferente, sempre com a esperança de agarrar o meu próprio leme e levar o mau barco a um porto seguro, onde o mar seja calmo e as pessoas simples. Mas na realidade, o meu barco anda sem rumo, como se o leme estivesse de certa forma quebrado ou simplesmente nao existisse, sinto-me a deriva e sem a capacidade de dar um rumo certo, pois nao sei qual o verdadeiro e correcto sentido da vida. Como eu gostava que a vontade de rir nascesse do fundo do ser, acontece porem, ter uma vontade de ir, correr o mundo e partir, com a vida sempre a perder...
ResponderEliminarTalvez um dia consiga segurar o leme com firmeza e encontrar um rumo, tal como tenho a certeza que tu estas a segurar o teu e a conduzir o teu barco sobre as mares por vezes agitadas!
Apenas queria deixar um breve comentário a esta música que por mais estrnho que pareça também foi numa manhã de maio que a ouvi ao longo do caminho para casa!
ResponderEliminarÉ por este leme que tentamos lutar todos os dias que nos debatemos com as mais diferentes experências na vida e que muias vezes não agarramos este leme com a força que deviamos e nos perdemos entre as ondas do mar entre tempestades...