8.14.2005

Desejo

Acordei a meio da noite a precisar de um regaço. Acordei do sono leve. Adormeci teimosamente para não pensar nas carências, nos restos que sobraram desta sequência homogénea de dias, desta nulidade de realização. A realidade exige a minha consciência dela e não consigo dormir mais. Abro a persiana e vejo o sossego da cidade. Interrompido pelo barulho de um ou outro carro que circula de madrugada. Os bancos da praceta já estão desocupados e talvez também anseiem por companhia, que virá com o novo dia. Olho o céu, escuro e sem estrelas. A velha companheira de estrada vem ao meu encontro e não posso esquivar-me. Traz os braços abertos, prontifica-se a apertar-me neles. Não desejei a sua presença. Nesta noite amena, sinto-me triste e preciso tão somente do teu abraço e do teu sorriso. Queria-te aqui para sentir o bem-estar que me foge.

3 comentários:

  1. lindo o texto, cm sp.

    alem do vaninafr.blogspot.com, criei um blog novo c a daniela. qd tiveres um tempinho passa la!
    www. metaforasinuteis.blogspot.com
    ****

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  2. Ao ler este post, recordo instantaneamente o titulo do livro que leio...
    Todos os dias sentimos essa falta de alguem ou de algo que nos faz sentir tao bem...

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  3. Anónimo6:28 p.m.

    ...a precisar de um regaço (Mafalda Veiga) faz-me lembrar o dia 1 de Março :)

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