“Aquele matrimónio fora mais a inevitável união de duas pessoas solitárias do que um acto de amor.” (Rodrigues Carvalho in “Destinos Traçados”)
Os tradicionais matrimónios convencionais não estão a desaparecer, mas a aparecer com contornos mais bizarros e subtis. Quantas vezes assistimos a união de duas pessoas que o fazem em último recurso, para combater a solidão a que parecem estar votadas.
Os tradicionais matrimónios convencionais não estão a desaparecer, mas a aparecer com contornos mais bizarros e subtis. Quantas vezes assistimos a união de duas pessoas que o fazem em último recurso, para combater a solidão a que parecem estar votadas.
Continuo a defender que um casamento deve ser acima de tudo um acto de respeito para com o Amor em si. As pessoas não podem auto-flagelar-se mediante o pretexto de ter algumas afinidades com a outra. Isso é insuficiente! Não basta gostar, é preciso sentir a outra pessoa como a outra parte de nós, sem a qual somos incompletos. Por isso a decisão de casar ou não deve ser bem ponderada, pois é algo no qual eu acredito que há uma seriedade que a cada dia que passa é desvalida.
O sacramento matrimonial subtraído da tradicional conotação religiosa, simboliza a entrega mútua entre duas pessoas, porém isso não implica que se abdiquem dos sonhos pessoais nem dos interesses individuais. A diferença é que agora é suposto serem partilhados. Quando se constrói um amor sobre o espectro da solidão ele é fraco. Um acto de amor faz com que os participantes do mesmo se sintam sozinhos quando não estão com a pessoa que amam e não que se sintam igualmente sozinhos quando estão com o cônjuge.
Para um casamento resultar a solução passa por respeitar uma certa distância entre o espaço de cada um dos elementos. Invadir o espaço da outra pessoa, arrancando-lhe as resistências de expulsar todos os seus pensamentos, obrigar a um relatório de cada passo que se dá, pressionar no sentido da insociabilidade com os demais, exigir a presença incondicional, uma perspicácia perceptiva e um conhecimento quase absoluto é como que assinar a sentença de morte. Nenhum casamento sobrevive assim.
No livro da Margarida Rebelo Pinta "Pessoas Como Nós", uma das personagens tem este tipo de casamento...
ResponderEliminarDe facto acontece cada vez mais hoje em dia unioes entre pessoas que nada têm em comum.
Mas temos de ver que a solidao é algo que doi, que as pessoas que se sentem só tentam arranjar companhia desesperadamente, nao ligando a coisas tao importantes como por exemplo o que existe em comum entre os dois alem da solidao em que viviam....
Nao podemos condenar este tipo de unioes, é uma fuga a algo que destroi as pessoas a cada dia, a cada noite que passa...em muitos destes casamentos, a vida continua a ser isolada, nao existe nunca aquela cumplicidade que existe num casamento com Amor, e como viver com um amigo, alguem que esteja presente, que faça companhia, que partilhe o tempo...
Tentemos nos evitar um casamento assim, procuremos a nossa alma gemea para que a nossa uniao nao seja um acordo para acabar com a solidao...