1.03.2006

Num corredor frio, num dia tenso...

Os corredores da faculdade reflectem um pouco do carácter dos utentes que se passeiam por entre eles: frios, altivos desinteressantes, indiferentes, monótonos. É aqui, quando atravessas estes corredores, que te sentes verdadeiramente desacompanhada.
Hoje resta-me apenas a estupefacção perante a falta de sentido de responsabilidade e a facilidade com que se desmarcam compromissos. A ironia das desculpas apresentadas provoca-me um riso idiota que corresponde à revolta que me percorre.
Lembrei-me que, um dia, disseste que “quem tem mais sorte na vida é quem nem se esforça” e eu tenho pânico só de imaginar que o sucesso que se alcança na vida é independente do empenho e da dedicação.
Estou sentada no parapeito frio das janelas mal isoladas e é enorme a vontade de berrar, de me passar completamente das estribeiras, esquecer as convenções do politicamente correcto e expulsar esta revolta interior que se acumula gradualmente e se converte em desesperança e descrença. Ninguém confia em ninguém que possa ter boas intenções sem ter qualquer interesse nisso. Acreditar que há pessoas que gostam de cooperar é um mito.
As ilusões foram caindo à medida que percebi que as paredes dos corredores da faculdade não têm as janelas que deixam ver um mundo diferente, lá fora…

2 comentários:

  1. Não te preocupes que a realidade está aí mesmo à saída da faculdade

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  2. Anónimo10:00 a.m.

    Quando vamos para a faculdade vamos na expectativa de fazer grandes amizades, de viver novas situações, de aprender muita coisa… Infelizmente, apesar de ser possível lá viver muita coisa boa, também nos deparamos com muitas injustiças, com pessoas mesquinhas que não olham a meios para atingir fins, com falta de sensibilidade, com indiferença… Mas…continuam a existir os bons amigos que nos fazem esquecer que há dias em que as paredes da faculdade conseguem ser muito frias…

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