Fixa o teu olhar em mim como antes e sê verdadeiro para comigo, por uma vez. Diz-me aquilo que vês, sem eufemismos (de preferência)!
Dizes que o meu olhar continua tão vivo, intenso e profundo como da primeira vez. Não! O meu olhar perdeu a profundidade para dar lugar às marcas da tristeza desiludida – resultado daquilo que os meus olhos te viram fazer sem nunca o conseguirem, sequer, conceber na imaginação mais distante da realidade.
Acrescentas que o bronzeado do meu rosto continua a exercer sobre ti a mesma atracção inicial. Mas não consegues ler nas rugas da minha expressão a amargura deixada pelo ressentimento de nunca me teres tocado da forma sincera e fiel como eu pensava.
Ainda agarras as minhas mãos, na tentativa de me convenceres que a textura suave ainda te seduz como antes. Não! Já não seguras as minhas mãos como as conheceste e como tu ainda as consegues ver, porque elas são apenas o resto do vazio que ficou depois de me teres levado para bem longe de mim.
Enrolas uma madeixa do meu cabelo liso e sussurras-me ao ouvido algo que eu sei que já não corresponde àquilo que vês e menos ainda àquilo que sentes!
Aguento. Ouço. Inspiro.
Então chega a minha vez de falar: “guarda bem esse retrato que ainda tens de mim, conserva-o pelo menos na tua memória de dias outonais”. Percebo a tua incompreensão e olho-te nos olhos, fixamente, em silêncio e durante alguns longos segundos…
Por fim, digo-te: “não podes continuar a ver-me assim, porque tu mudaste-me e se tu próprio tens dificuldade em reconhecer em que é que mudei, imagina só o quanto me custa a mim admitir que mudei por tua causa e que não consigo voltar a ser o que era. Aquilo que vês agora é apenas a melhor versão da imagem daquilo que fui um dia. Espero que a perpetues na tua memória, porque eu pretendo voltar a recuperá-la, mas para isso não posso continuar a ouvir de ti uma imagem fictícia de mim.”
Vejo a pena nos teus olhos e dispenso que pronuncies qualquer palavra! Não me deixo comover, por mais piedosa que ainda me reconheça. Volto costas, devagar e determinada, começo a caminhar em direcção à multidão solitária.
Dizes que o meu olhar continua tão vivo, intenso e profundo como da primeira vez. Não! O meu olhar perdeu a profundidade para dar lugar às marcas da tristeza desiludida – resultado daquilo que os meus olhos te viram fazer sem nunca o conseguirem, sequer, conceber na imaginação mais distante da realidade.
Acrescentas que o bronzeado do meu rosto continua a exercer sobre ti a mesma atracção inicial. Mas não consegues ler nas rugas da minha expressão a amargura deixada pelo ressentimento de nunca me teres tocado da forma sincera e fiel como eu pensava.
Ainda agarras as minhas mãos, na tentativa de me convenceres que a textura suave ainda te seduz como antes. Não! Já não seguras as minhas mãos como as conheceste e como tu ainda as consegues ver, porque elas são apenas o resto do vazio que ficou depois de me teres levado para bem longe de mim.
Enrolas uma madeixa do meu cabelo liso e sussurras-me ao ouvido algo que eu sei que já não corresponde àquilo que vês e menos ainda àquilo que sentes!
Aguento. Ouço. Inspiro.
Então chega a minha vez de falar: “guarda bem esse retrato que ainda tens de mim, conserva-o pelo menos na tua memória de dias outonais”. Percebo a tua incompreensão e olho-te nos olhos, fixamente, em silêncio e durante alguns longos segundos…
Por fim, digo-te: “não podes continuar a ver-me assim, porque tu mudaste-me e se tu próprio tens dificuldade em reconhecer em que é que mudei, imagina só o quanto me custa a mim admitir que mudei por tua causa e que não consigo voltar a ser o que era. Aquilo que vês agora é apenas a melhor versão da imagem daquilo que fui um dia. Espero que a perpetues na tua memória, porque eu pretendo voltar a recuperá-la, mas para isso não posso continuar a ouvir de ti uma imagem fictícia de mim.”
Vejo a pena nos teus olhos e dispenso que pronuncies qualquer palavra! Não me deixo comover, por mais piedosa que ainda me reconheça. Volto costas, devagar e determinada, começo a caminhar em direcção à multidão solitária.
Começo por comentar titulo deste post, "Olha para mim e diz-me aquilo que ves!", sem duvida algo profundo que me fez recordar a musica dos Delfins em que o refrao e algo de muito parecido e igualmete profundo, uma musica que eu adoro, "Olha bem para mim e diz-me quem tu...".
ResponderEliminarE quase impossivel mantermos a nossa postura inalteravel ao longo da vida, por vezes somos forçados a mudar outras apenas somos convidados a mudar, mas as mudanças sao de uma ou outra maneira inevitaveis.
Nao devemos mudar sem motivo ou so porque alguem quer que mudemos algo, temos de analisar bem a mudança que nos pedem e de que forma ela ira alterar a nossa forma de vida, pois podemos ter uma mudança "radical" e nunca mais regressamos ao ponto de partida e nunca conseguimos ser nos proprios. Sao mudanças destas que temos de evitar, pois aquilo que somos temos de ser ao maximo fieis...
;)