9.17.2009

Emergências

Luzes azuis, intermitentes, são reflectidas na janela do meu quarto. Com insistência. A madrugada já vai longa. Penso que será a polícia, mas a permanência obriga-te a abandonar essa hipótese. Vou verificar. O instinto em desassossego.

A ambulância do INEM estacionada. As luzes da sirene a apanharem-se nas paredes pintadas dos edifícios. Há um prédio com luzes acesas e pessoas à porta. Percebo que há uma família em sobressalto.

Sai alguém que caminha com dificuldade, amparado pelos paramédicos. Nos ombros descaídos, leva uma mantinha pesada. Protegê-lo-á do frio desta noite de Verão? Do medo do diagnóstico? Da ansiedade de querer saúde?

Arrancam por fim, a grande velocidade. A insónia daquela família preocupada e angustiada. O prédio devolvido à luz bruxuleante dos candeeiros esguios plantados no cimento do passeio.

O meu sono afastou-se com aquelas luzes perdidas. Regresso à cama e fico deitada, imóvel e apreensiva. Fico a pensar, pois claro, na chegada ao hospital, onde a pressa e a incerteza são doenças recorrentes...

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