A robustez de carácter em comunhão com a força das raízes. Essas mesmas que dão o melhor fruto em homenagem a estes homens devotos. Uma paisagem que esgota toda a adjectivação e se desdobra aos olhos de quem a visita com uma simplicidade cúmplice que convida a permanecer num silêncio contemplativo.
Há suor a escorrer pelas testas tisnadas, memórias das jornadas de trabalho de sol a sol, histórias embebidas em nostalgias doces. Desfiam-se as alegrias com a mesma velocidade com que se desviam as parras das videiras.
É admirável a curvatura dos homens humildes perante a imperatriz que lhes gera sorrisos, angústias e uma genuinidade intransmissível que nasce aqui, neste berço onde a Natureza fez um protótipo sem sucedâneos.
E há um orgulho que respira dessas mãos sujas, empoeiradas, sofridas. Percebe-se, sem desmontar um complexo raciocínio, que é na labuta dos dias que se redescobre o prazer de ter os pés sobre um precioso chão de xisto.
9 meses de inverno, 3 de inferno... sei bem do que estás a falar!
ResponderEliminarAdoro TM desde o espinho de um ouriço caído até ao paladar do chouriço preto, passado pelo cheiro persistente que se sente no ar e o ensurdecedor concerto das rãs no charco do lameiro onde o gado vai beber.
Palavras simples e fortes, sobre gente simples e forte que construiu estas paisagens.
ResponderEliminarEstas linhas ficariam bem, por exemplo, a documentar as belas fotografias do eminente fotógrafo Domingos Alvão sobre o Douro.
P.S. Com origem em TM, e às vezes tão distante, gostei muito do sabor das palavras do leitor do blogue E. Ramos.
bB