Se me recortassem a vida, sem aviso nem permissão, que levaria na consciência de sentir?
A liberdade de ter sonhado aprisionada e os passos cambaleantes que me conduziram a nenhures. O restolho do mar nos olhos da meninice e as lágrimas soçobradas com o tempo que nunca se lamentou.
O final da música que trespassou de porta alheia e os versos que li e não partilhei. Não esqueceria esse chá misturado, à noitinha, com essa irmandade umbilical.
Abandonaria a teoria de que as luzes das cidades que guardo atrás da janela do carro em andamento existem porque uma caneta gigante só consegue deixar pontos finais no breu.
Mas não abdicaria dessa emoção de te ter em mim, até mesmo sem a certeza de que fomos um dia mais do que esquecimento de termos sido nada.

"O final da música que trespassou de porta alheia e os versos que li e não partilhei. Não esqueceria esse chá misturado, à noitinha, com essa irmandade umbilical."
ResponderEliminarMas se os versos não foram partilhados, onde e com quem a "irmandade umbilical"? Eu percebo que a frase seja assim mas espero que não corresponda a um estado de espírito e, sim, ao plateau de ficcção da autora... bom Domingo!