3.04.2011

Carinho parcimonioso

Quando nos voltámos, percebemos a inevitabilidade da manobra de marcha atrás. Nesse cruzamento, deixámos de ter visibilidade para todos os ângulos. Ora era o nevoeiro que espreitava, ora as sombras que te encobriam. Ainda antes de arrancarmos, descobrimos que, afinal, estávamos no mesmo entroncamento.

Por nós, passaram novas caras, experiências diferentes, velhos caminhos e a certeza visceral. Voltaríamos a esse companheirismo das entrelinhas. Regressaríamos aos sonhos segredados em sustenido. Reencontraríamos essa invisibilidade de, a cada passo, andarmos de mãos dadas.

Agora, há outra vez as gargalhadas ao pôr-do-sol, os imprevistos ao pisar a soleira da porta, as peripécias desfiadas, a ternura acenando aos chuviscos. Não nos incomoda o silêncio dos intervalos, pois ele nasce dessa conivência tácita, selada com um olhar que se conhece por dentro.

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