Cai uma chuva miudinha, mas não permito que ela me demova. Vou pegar na caneta, salpicar emoções e tentar despegar sentimentos. Quero estar apenas aqui, irrequieta no meio da imobilidade dos baloiços, a ouvir o rio correr bem perto e a sentir o peso das saudades do que nunca foi, do que julguei ser, do que nunca cheguei a restituir.
Fui aprendendo a ser assim: nunca desejar muito mais do que o que tenho, porque quando eu queria tudo e até esse tudo me parecia pouco e não chegava, pouco me foi permitido. À medida que deixei de poder dilatar perspectivas, tive que me sujeitar ao que a vida me tirou.
De repente, incomoda-me este chilrear dos pássaros em dia chuvoso. Distrai-me. Passa um pescador e olha-me de soslaio. Pudesse eu, de vez em quando, pescar suplementos anímicos para quando os ânimos desfalecem e se complicam.
Falta-me o alento como falta o sol a esta tarde nublada. Sei que ele está algures em mim. Como aliás nunca deixou de estar, mas hoje não desejo afastar as nuvens para o redescobrir. Hoje basto-me eu para mim, sem o que fui, com aquilo que restou daí.
E os dias vão passando e são horas vazias, cronometradas por uma tristeza silenciosa que corrói aquela velha, longínqua e saudosa alegria de lutar.
Fui aprendendo a ser assim: nunca desejar muito mais do que o que tenho, porque quando eu queria tudo e até esse tudo me parecia pouco e não chegava, pouco me foi permitido. À medida que deixei de poder dilatar perspectivas, tive que me sujeitar ao que a vida me tirou.
De repente, incomoda-me este chilrear dos pássaros em dia chuvoso. Distrai-me. Passa um pescador e olha-me de soslaio. Pudesse eu, de vez em quando, pescar suplementos anímicos para quando os ânimos desfalecem e se complicam.
Falta-me o alento como falta o sol a esta tarde nublada. Sei que ele está algures em mim. Como aliás nunca deixou de estar, mas hoje não desejo afastar as nuvens para o redescobrir. Hoje basto-me eu para mim, sem o que fui, com aquilo que restou daí.
E os dias vão passando e são horas vazias, cronometradas por uma tristeza silenciosa que corrói aquela velha, longínqua e saudosa alegria de lutar.
As “saudades do que nunca foi” são sempre as que mais pesam no peito. Vale a paixão do que não deixamos no presente transformar nessa dor… Encontras esses “suplementos” quando não os esperas e, o que não foste, vais sendo enquanto levantas o olhar caído momentaneamente no chão…
ResponderEliminarCurvo-me à beleza das tuas palavras :p, bj.
Ahhh
ResponderEliminarNunca gostaste dos pássaros a cantar =P