O livro

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Existe em diversos formatos, com diferentes capas e cores, mas sempre com essa força de atracção irresistivelmente tentadora para todos os apaixonados pela literatura.

Quando começamos um novo livro, é como partir à descoberta da essência que se esconde por entre as suas páginas. À medida que progredimos, desenhamos o perfil psicossociológico das suas personagens, identificamo-nos com certas situações, percebemos alguns sentimentos familiares, deparamo-nos com espirais de interpretações, em suma, vivemos como que “em paralelo” face à história que lemos.

Eu considero que é muito importante ler e, acima de tudo, saber ler um livro. Para tal é preciso gostar! Tarefa que não será fácil se nunca tiver havido um estímulo nesse sentido. Pessoalmente, gosto de cultivar esse gosto e, se possível, fomentá-lo nos outros. É por isso que gosto que me ofereçam livros e que gosto de os oferecer. É sempre interessante trocar opiniões, partilhar ideias sobre determinado livro, fazer recomendações de leitura.

Penso que é imperativo que os pais eduquem os filhos no sentido de os levar a descobrir o prazer da leitura. Quando são crianças e ainda não sabem ler, é aconselhável que os progenitores dispensem cinco minutos do seu tempo para ler um conto infantil, depois de lhes aconchegar a roupa na hora de dormir. Ler para uma criança é proporcionar-lhe a oportunidade de prestar atenção exclusiva às palavras e à entoação da voz. Este momento de oralidade permitirá à criança "desligar-se" das imagens que lhes passaram à frente dos olhos a maior parte do dia: na televisão, no computador, na consola. Mais tarde, quando aprendem a ler, há que encorajar as crianças, lançando-lhes perguntas como: "o que mais gostaste na história?", "a história acabou como tu imaginavas?", desta forma, motivar-se-á a criança a ler mais.

Quando pouso o livro que estou a ler na mesinha de cabeceira, apago a luz e deixo para o dia seguinte a continuação da leitura (ou porque estou cansada, ou porque tenho sono, ou porque não me apetece pura e simplesmente continuar), penso no quanto o/a escritor/a colocou de si e do seu tempo naquele enredo...

Devemos a todos os escritores de um tempo que já não é, o rico património cultural que nem sempre nos interessamos por conhecer, porque não gostamos de ler, porque preferimos ler na diagonal ou porque optamos por ler os resumos. Devemos também aos escritores do nosso tempo, o seu contributo para aumentar esse legado e temos o dever para com os escritores de um tempo futuro de não comprometermos este património.

Ler (tal como escrever) é um acto solitário. Contudo, em quantos instantes de solidão a companhia ideal não passa pela leitura de um livro? A sensibilidade colocada em cada palavra, a experiência espelhada em cada citação da qual gostamos particularmente, a magia inerente a cada livro são fruto do trabalho de alguém que investiu na concepção de uma história que fizesse companhia quando e onde o leitor quiser.

Ouvimos muitas vezes o argumento de que os livros são caros e, embora não deixe de ser verdade, não é razão suficiente para que não se ler. Existem as bibliotecas públicas (muitas vezes reservadas a poucos frequentadores - os mesmos que querem cultivar e transmitir um hábito que parece perdido) e as novas tecnologias permitem o acesso a grandes obras literárias.

A digitalização de livros torna o acto da leitura diferente. Eu prefiro sentir o livro nas mãos, deixar que os meus dedos percorram as páginas. Gosto de poder desfolhá-lo, de poder pousá-lo, de poder transportá-lo comigo. Leio em qualquer sítio quando a história me entusiasma. Adoro ler na praia, ao sol ou em casa, num dia de chuva, à lareira num dia de frio e gosto de ler para alguém que goste de ouvir.

O valor do livro não reside no seu preço, mas sim na história que conta! É fulcral que, depois de quebrado o encantamento inicial com a conclusão da leitura, possamos retirar alguns ensinamentos para crescermos como pessoas e como seres humanos, algo que possa ser útil para a nossa vida.

Eu gostaria que os livros não se acumulam-se nas prateleiras sem serem lidos, transformados em poiso seguro para o pó, objecto-alvo preferido dos que se esqueceram de lhes dedicar um pouco do seu tempo a descobrir as histórias que se guardam nas suas páginas.

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