Se gostas porque não corres atrás?

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Não gostava que deixasses passar ao lado, bem à tua beira, a oportunidade de ser ainda mais feliz, de ter alguém contigo, alguém que não insista em quebrar os silêncios que ficam dos vazios de uma vida pouco significante, alguém que te sorria com o coração e te abraça com a ternura de um olhar discreto, alguém que te saiba passear nos jardins dos melhores sentimentos.

Não leves o relógio contigo. O tempo, esse começa a relativizar-se quando nos libertamos da escravatura a que voluntariamente nos submetemos desde há muito tempo atrás, de um tempo do qual já nem com esforço nos lembramos.

Às vezes, a vida coloca-nos pessoas no nosso caminho, pessoas com potencial, com disposição e com convicção profunda de que nos podem fazer felizes, mas nós andamos sempre tão ocupados com coisa nenhuma, com tarefas que afinal se vêm a revelar não tão úteis e importantes como inicialmente as classificamos, andamos sempre tão narcisistas que nem prestamos atenção ao outro, àquele que caminha ali ao nosso lado sem se fazer notar, ou que nos segue os passos como uma sombra que nem sempre damos conta.

É porque estamos sempre preocupados com uma qualquer outra prioridade que não sabemos parar, ter tempo para olhar, para deixar que seja o nosso coração a fazer uma inspecção intuitiva e sábia. Apenas por uma questão de economia de tempo e de pragmatismo, damos assim um olhar de relance e racionalizamos a questão até que ela acaba por se tornar um tópico secundário, enquanto andamos absorvidos por tudo o resto que afinal é tão pouco.

Quando o tempo, os trabalhos, os estudos, os filhos, os amigos nos dão uma folga então aí tentamos olhar para o sítio onde vimos (já nem nos lembramos bem quando) aquilo que procurávamos, mas que só agora fomos confirmar se não nos teríamos enganado. Quando aí voltamos, percebemos que já não está.

E é assim que deixamos passar pessoas importantes na nossa vida, pessoas que não soubemos valorizar e preservar no tempo certo. Não gostaria que mais uma vez isto se passasse contigo. Deixa que a voz do coração seja a única ordem que os teus ouvidos vão levar ao cérebro, sem pressas nem demoras, mas apenas no limite de tempo adequado. Voltaremos a falar. Até lá eu confio que ainda vais a tempo de correr atrás e de conseguir aprender a mostrar o quanto e como gostas.

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