Saciedade fictícia

04:41

Pedes-lhe “só mais um pouco”, sendo que isso já representa o mais que muito. Não adianta! Nunca te dará mais do que isto e sente-se contente consigo por tal.

Lá vens tu com discursos preparados e argumentos que não lhe interessam minimamente. Aliás, isso é-te dito num tom que mistura presunção e sinceridade.

Custa-me olhar-te quando desabafas. Admito que faço um esforço terrível para dissimular o que me passa pela cabeça, todavia, a custo, conservo o meu silêncio.

Afinal, estás tão convencido que as histórias que te conta são para embalar que perdes o discernimento para perceber que, nesse sono, os teus sonhos ficarão no limiar da porta cerrada.

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